No laboratório de Rob DeSalle, inúmeros projetos examinam o material genético de organismos tão diversos quanto vírus e mamíferos. Com isso, ele e seus colaboradores buscam caracterizar a biodiversidade, organizar a classificação, buscar caminhos para conservação e mais. Ao ser chamado para elaborar a exposição Revolução Genômica, encarou o desafio de tornar um tema abstrato concreto para o público leigo.
Em sua palestra, apresentada no dia 15 de junho no parque do Ibirapuera, mostrou que o DNA é real e está em todas as células. “O genoma nos conta sobre nosso lugar neste mundo e também tem muito a contribuir para a saúde”, afirmou. Para ouvir o que ele conta, a tecnologia tem dado saltos cada vez mais amplos e rápidos e agora busca reduzir o custo para desvendar genomas.
Mas além de desvendar a seqüência do DNA nas células humanas, novas técnicas da genômica permitem caracterizar o funcionamento de tecidos ou doenças como diabetes, câncer de mama ou melanoma. “Monitorar a atividade de vários genes ao mesmo tempo é provavelmente a única maneira de entender algumas doenças.”
O DNA, como se sabe, está em todos os organismos. Vários animais já tiveram seus genomas seqüenciados, uns mais e outros menos semelhantes ao homem. No entanto, saber a semelhança entre o DNA dessas espécies é um dos aspectos da genômica de animais que menos lhe interessa. Ele acredita que no futuro próximo é possível que exista um pequeno aparelho capaz de desvendar em minutos o material genético de qualquer organismo para identificá-lo. Genomas serão como um código de barras que revelará a riqueza de espécies.
Conhecer esse código de barras é também uma maneira eficaz de identificar tráfico de animais silvestres ou de caça ilegal. DeSalle ajudou, por exemplo, a desenvolver um teste genético para identificar a espécie de peixe que dava origem ao caviar comercializado nos Estados Unidos. Ficou provado que as saborosas ovas vinham de três espécies de esturjão gravemente ameaçadas de extinção que, por isso, foram declaradas protegidas.
Analisar em detalhe o genoma humano vem permitindo reconstruir as rotas de migração do homem ao longo dos milênios. Embora digam muito sobre os caminhos da humanidade, essas informações não revelam as origens de cada pessoa, advertiu o geneticista. Com toda a miscigenação que acontece há milhares de anos não é possível, por exemplo, encontrar um único ancestral para cada continente. “A única coisa que sabemos é que a origem de todos os humanos está na África”, concluiu.
Para DeSalle, a genômica ensina muito sobre os animais que habitam o planeta e sobre nossas origens e nosso lugar no mundo. Exposições como a Revolução Genômica contribuem para que esse conhecimento se estenda das esferas científicas para a sociedade inteira.
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