Izarra acredita que o equipamento também será destinado a outros setores, além da indústria alimentícia ou produtos de limpeza. O Spectra poderá ser usado na linha de produção de fármacos para detectar se um blister (a embalagem de alumínio que acondiciona comprimidos) contém todos os comprimidos e se há algum danificado. Na indústria de bebidas servirá para verificar o nível das latinhas de cerveja e refrigerantes.
Outra possibilidade é o uso em aeroportos, com outra configuração, para verificação de bagagens. “Uma das primeiras consultas sobre esse tipo de máquina com raios X partiu da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária), porque as máquinas que eles têm são importadas e de manutenção cara”, diz Izarra. Nesse caso, existe a necessidade de um operador para visualizar as bagagens enquanto na máquina industrial não é preciso, porque ao constatar um produto com problemas ela automaticamente faz a separação. A mesma configuração para aeroporto poderá ser usada em prisões, também na forma de scanner, para inspecionar detentos e visitantes.
Com 65 funcionários e instalada no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, a empresa tem produtos em 28 países como Estados Unidos, Espanha, Irã, Egito, Angola e África do Sul. São países que importam diretamente ou por meio de empresas integradoras, que instalam todo o conjunto de máquinas e equipamentos de uma fábrica, por exemplo. A empresa também tem representantes em todos os países da América Latina. Além das máquinas detectoras de metal para a indústria alimentícia, a empresa vende no exterior equipamentos para inspeção na área de mineração, usadas na verificação das matérias-primas da produção do cimento, porque pequenos pedaços de metal podem pôr a perder o moinho onde se prepara esse produto.
Caminhos próprios - A história da Brapenta começa quando Martín Izarra durante a graduação em engenharia eletrônica na Argentina, país de nascimento, fez um projeto para sistemas de medição de gás carbônico (CO2) em grandes tanques por meios eletrônicos. “A empresa, subsidiária da General Dynamics, que produzia peças para reatores nucleares e produtos químicos, gostou, depositou a patente e me pagou uma quantia suficiente para comprar um carro, e ainda me contratou. Comecei trabalhando na área de P&D deles inclusive nos Estados Unidos”, lembra Izarra. “Mas passei pelo Rio de Janeiro e resolvi ficar. Antes tirei férias e vim estudar o Brasil. Adotei o país e me naturalizei.”
Em São Paulo Izarra foi gerente de projetos da AEG Sistemas, empresa alemã de automação industrial, e logo depois resolveu montar uma subsidiária da empresa Penta da Argentina no Brasil. Com um dos cinco sócios da empresa argentina, ele montou, em São Paulo, a Brapenta em 1979. O primeiro produto foi um detector de metais para área de mineração. “Mas, 3 anos depois, a tecnologia já estava obsoleta. A velocidade das inovações é muito rápida e resolvi comprar a parte do sócio e trabalhar em cima de tecnologias próprias para acompanhar a velocidade do desenvolvimento tecnológico. Isso foi e está sendo um processo de aprendizagem.”
Os Projetos
1. Desenvolvimento de cristal de CSL(TI) e plástico cintilador para fins de inspeção em tempo real com raios X em equipamento nacional
2. Sistema de inspeção por raios X e inovação de equipamentos para alimentos seguros
3. Sistema de inspeção por raios X
Modalidades
1. Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas e Micro Empresas (Pipe)
2. Programa de Subvenção Econômica a Empresas
3. Programa de Capacitação de Recursos Humanos (Rhae Inovação)
Coordenadores
1. Carlos Henrique de Mesquita – IPen/Brapenta
2. Martín Izarra - Brapenta
3. Alberto Suárez Velasco e Martín Izarra - Brapenta
Investimentos
1. R$ 94.018,00 (FAPESP)
2. R$ 1.283.160,00 (FINEP)
3. R$ 257.099,52 (CNPq)