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Entrevista
Política com ciência
Sergio Rezende, um físico internacionalmente respeitado comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia, sem abrir mão de sua produção teórica
© Sérgio Amaral
Rezende: "Sempre trabalhei com um fenômeno dinâmico de materiais magnéticos chamados spins. E às vezes faço teorias para explicar experiências que outros estão desenvolvendo"

O ministro Sergio Machado Re­zende, 68 anos, à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia desde meados de 2005, assegura que é possível combinar as pesadas exigências do cargo, em Brasília, com os voos da imagi­nação aos quais lhe convoca seu gosto por formular hipóteses consistentes para a construção de teorias em física. Mergulhado na execução e gestão do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional ou nos rearranjos orçamentários determinados por um corte em torno de R$1,3 bilhão no orçamento originalmente previsto para sua pasta em 2009, por imposição da crise econômica internacional, ele não deixou, nos últimos meses, de passar nos fins de semana por sua pequena sala na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – e lá trabalhar um pouco, prazerosamente. A propósito, ele é professor titular no Departamento de Física da UFPE.

A possibilidade de combinação entre o trabalho político-administrativo e a atividade científica está longe de ser mera força de expressão do ministro, a julgar pelos artigos de sua autoria postos em circulação recentemente por respeitados periódicos especializados. Com uma biografia que contabiliza um total de 214 artigos científicos publicados, 2.099 citações e índice H 24, números que o situam numa posição de destaque entre os mais reconhecidos físicos brasileiros, além de indicar sua influência na produção do conhecimento internacional em física dos materiais, Sergio Rezende teve um novo paper publicado em fevereiro deste ano pela Physical Review B. Em julho de 2008 figurou como um dos três autores de outro artigo que saiu na mesma publicação e logo deve figurar também como coautor num artigo já aceito pelo Journal of Applied Physics. Vale registrar que, no artigo de fevereiro, ele se aventurou pela construção de uma teoria para explicar uma nova experiência que um grupo de pesquisa alemão fizera para obter o condensado de Bose-Einstein. Em termos um tanto toscos, esse condensado, que alguns admitem chamar quinto estado da matéria, é uma situação em que, submetidas a temperaturas baixíssimas, inferiores a -273ºC, as partículas elementares atingem o menor nível de energia possível e passam a ter um comportamento unificado.

Nesta entrevista propusemos, sendo Pesquisa FAPESP uma publicação marcada pelas personagens do campo científico, que Sergio Rezende falasse de sua trajetória acadêmica, antes de se deter no trabalho de ministro. E o resultado foi que esse tranquilo e gentil carioca, com camadas pernambucanas em sua expressão, terminou se mostrando como alguém que conhece muito bem o campo da ciência e da tecnologia, no qual joga com desenvoltura em três posições: a de cientista, a de administrador e a de político. 

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