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Entrevista
O crítico da ciência
Ex-presidente do IBGE analisa os impactos sociais das concepções provincianas da universidade brasileira
© Léo Ramos
Simon Schwartzman

O sociólogo Simon Schwartzman está terminando mais um estudo sobre o estado, os impasses e as perspectivas da ciência brasileira. O primeiro – Um espaço para a ciência – resultou em um livro indispensável para entender como se constituíram os primeiros grupos de pesquisa do Brasil: A formação da comunidade científica no Brasil, publicado inicialmente em 1979, revisto e editado em inglês em 1991, e reeditado em português em 2001. No início da década de 1990 ele participou de um grupo que produziu um trabalho de repercussão internacional sobre as novas formas de produção do conhecimento – The new production of knowledge – The dynamics of science and research in contemporary societies, coordenado por Michael Gibbons – que mostrou que a ciência contemporânea nos países mais avançados tendia para o rompimento das barreiras entre a pesquisa acadêmica e a pesquisa aplicada, o mundo universitário, as indústrias e as agências governamentais, e também entre as disciplinas científicas tradicionais. Essa abordagem, que implica uma reconfiguração profunda da maneira pela qual as agências governamentais, indústrias, centros de pesquisa e universidades se organizam, pode ser a saída para muitos impasses do Brasil, como Schwartzman propôs em seguida em amplo estudo sobre as alternativas de política de ciência e tecnologia para o país. Seu trabalho mais recente é uma comparação entre 16 grupos e centros de pesquisa universitários na Argentina, Brasil, Chile e México que, de diferentes modos, combinaram trabalho científico de alta qualidade com aplicações efetivas de relevância econômica e social. Aos 68 anos, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), Schwartzman revê nesta entrevista a função da universidade, que poderia ser mais ativa à frente das inovações; redimensiona o papel das empresas; e valoriza as atribuições do governo, agente primordial no desenvolvimento científico e tecnológico desde que deixasse de ser simplesmente um financiador da oferta da pesquisa e assumisse o papel de usuário e solicitador de conhecimentos científicos e tecnológicos.

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