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| Desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar: aumento de produção |
Um dos atuais desafios do Brasil é aumentar a oferta de álcool combustível. As soluções englobam desde novas variedades de cana-de-açúcar, incluindo plantas transgênicas, até a simples expansão da área agrícola, além de inovações na linha de produção das usinas. Sinônimo de combustível renovável, que polui menos em comparação com os derivados de petróleo, o etanol voltou a ocupar um lugar de destaque no cenário energético do país e também começou a ser desejado por vários países. No caso brasileiro, os responsáveis pelo renascimento do álcool são os carros bicombustíveis, ou flex fuel, que podem ser reabastecidos com álcool ou gasolina, ou ainda os dois juntos em qualquer proporção. No exterior, durante os últimos meses várias manifestações de governos e de empresas mostraram o potencial de mercado e da tecnologia de produção de etanol.
As manifestações com elogios e citações como exemplo a ser seguido vieram do presidente norte-americano, George Bush, de editoriais no New York Times e de notícias no jornal inglês Financial Times. Também foram destaque o interesse do milionário Bill Gates, um dos donos da Microsoft, em produzir etanol e a visita de dois empresários não menos endinheirados, Larry Page e Sergei Brin, proprietários do site Google, ao Brasil para conhecer usinas de álcool.
O interesse internacional no etanol fez acender ainda mais o setor sucroalcooleiro no país. Nesse mesmo tempo, segundo os próprios usineiros, a safra acabou e o álcool foi ficando escasso e com preço alto, em uma situação semelhante ao final dos anos 1980 quando o desabastecimento tirou a confiança do consumidor nos carros a álcool. Com a demanda crescente, governo, usineiros e empresários do setor só pensam em aumentar a produção de álcool. Um aumento nesse sentido, segundo os especialistas, só virá mesmo a curto prazo com a expansão agrícola da cultura e a inauguração de novas usinas. A demanda vai crescer, em pouco tempo, com o aumento da venda de carros bicombustíveis. Em 2005 eles representaram 53% do total de automóveis e veículos comerciais leves produzidos. Em fevereiro deste ano a porcentagem de vendas já era de 76%.
Atualmente, dos 15 bilhões de litros de álcool produzidos, o Brasil exporta apenas 3 bilhões. A demanda do mercado externo vai aumentar principalmente pelo alto preço do barril de petróleo e para atender às prerrogativas do Protocolo de Kyoto, em que as nações desenvolvidas terão que reduzir em 5% as emissões de dióxido de carbono (CO2), gás resultante, principalmente, da queima de derivados de petróleo. Conta também o declínio das reservas mundiais de petróleo. “A expectativa de uma demanda de álcool para os mercados interno e externo somente será atendida se houver uma expansão da área plantada de cana-de-açúcar, em regiões tradicionais ou em novas fronteiras”, comenta Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), entidade que reúne os produtores paulistas de cana, álcool e açúcar.
A expansão em São Paulo está começando pelo município de Araçatuba, uma área tradicionalmente voltada para a pecuária, que já responde por 20% da produção de cana do estado. Outras áreas de expansão estão no Triângulo Mineiro e nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Calcula-se no setor que, entre 2006 e 2010, 89 novas usinas serão instaladas no país. Hoje são 300 usinas.